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Doutrina do RER

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Doutrina do RER

Mensagem  Antoniosag em Sex Abr 26, 2013 11:50 am

Doutrina do RER



O Regime Escocês Rectificado apresenta a
particularidade destacável e provavelmente única de ter uma doutrina
própria de iniciação, explicitamente formulada e metodicamente ensinada
de grau em grau. Deste modo, enquanto os seus membros avançam na via
iniciática, dá-se-lhes um ensino teórico em forma de discurso pedagógico
sobre esta mesma iniciação.

Esta doutrina de iniciação maçónica está
intrinsecamente ligada à natureza e ao destino do homem e em perfeito
acordo com o cristianismo que lhe é natural, permitindo àqueles que
aderem a ela, viver a plenitude do processo iniciático na plenitude da
fé cristã.

A origem desta doutrina está nos
ensinamentos de Martinez de Pasqually, particularmente no seu “Tratado
da Reintegração dos Seres” substrato doutrinal de todo o conjunto do
Rectificado, que Willermoz adaptou à estrutura e apresentação da actual
Ordem.

A doutrina Rectificada resume-se nos seguintes quatro ensinamentos:

Primeiro:

O homem foi criado à imagem e semelhança
de Deus, e no estado primitivo glorioso que lhe era próprio, gozava da
imortalidade e da beatitude perfeita, porque estava em comunhão directa e
constante com o Criador, em união com Ele.
É isso que expressa o adjectivo “glorioso”, que deve ser tomado no seu
sentido mais amplo que aparece nas Escrituras, onde a glória põe em
manifesto a presença imediata e luminosa de Deus (em Maçonaria a palavra
“Glória” tem esse sentido: para todo o [verdadeiro] Maçon, trabalhar à
Glória do Grande Arquitecto do Universo é trabalhar na presença do Deus
Criador).

O primeiro homem, revestido de luz
divina, isto é, participando das virtudes e poderes que estão na
essência divina (o que a teologia cristã oriental chama energias
incriadas), participando, sem ser ele próprio, da essência divina,
estava destinado a ser o rei deste universo criado por Deus.

Segundo:

Este homem, por decisão sua, de livre
vontade, afastou-se de seu Criador e caiu. Como resultado, perdeu a
semelhança divina. No entanto, a imagem divina permanece nele inalterada
na mesma, porque a presença de Deus é imutável. Esta imagem é difusa,
tornou-se deformada e isso é o que simboliza a passagem do Oriente para o
Ocidente, da luz à escuridão, da multiplicidade à unidade: Adão expulso
desse lugar de luz e de paz total (Pax Profunda), que era o Paraíso
terrestre; e entenda-se que o Paraíso terrestre não era realmente um
lugar, mas um estado de ser.

Este homem separado de sua origem, que é
Deus, do seu verdadeiro Oriente, é chamado por Willermoz influenciado
por Martinez de Pasqually, o “homem em privação”. E essa privação é
absoluta. E isto implica um duplo castigo, não apenas o exigido pela
justiça divina, mas também aquele a que o homem se condenou a si mesmo. O
primeiro é que o homem não está em unidade com Deus, em comunicação
imediata e constante com Ele. Este é designado nos textos antigos como a
morte intelectual, tendo em conta que na linguagem da época
“intelectual” significava espiritual, imaterial; hoje diríamos agora que
o homem caído está num estado de morte espiritual. Mas também sofreu um
segundo castigo. A mutação ontológica radical que a queda do homem
provocou nele mesmo, manifesta-se também pelo facto de que o corpo
glorioso, de que estava inicialmente revestido, corpo de luz, corpo
espiritual, se transformou num corpo de matéria, sujeito à corrupção da
morte; de tal modo que, condenado à morte espiritual, assim é também
condenado à morte corporal.

Neste estado, a partir de agora o homem
encontra-se dotado de uma dupla natureza: a sua natureza espiritual,
graças à qual permanece sendo a imagem de Deus, e a sua natureza animal
corporal que ganhou com a sua queda e pela qual se assemelha aos animais
terrestres.

É por isso vítima de horríveis torturas.
Como ser espiritual, aspirante por sua própria natureza à união com
Deus, sofre de modo indizível com a ruptura com Ele. Como ser animal,
tornou-se escravo da suas sensações e necessidades físicas e é um
joguete de forças e elementos materiais. Em suma, como ser duplo, tanto
espiritual como animal, é dilacerado e desmembrado pelo antagonismo
entre as aspirações e as tendências opostas das suas duas naturezas.
Trágica, é então, é a condição actual do homem.

Terceiro:

No entanto, o Regime Rectificado ensina
que esta privação absoluta, que se tornou definitiva face à justiça
divina, não o será na realidade pela entrada em jogo da misericórdia ou
clemência divina, que aparece no instante em que o homem se arrepende.
Ora, arrepender-se é voltar-se a encontrar a si mesmo, é recuperar-se. É
desviar-se das trevas e voltar-se de novo para o Oriente, onde se
encontra a luz. É colocar-se em posição de ascender às suas fontes, à
sua origem. Então é quando o trabalho de iniciação é realmente possível.
Pois a iniciação é um dos meios utilizados pela misericórdia divina (e
isto, desde o primeiro momento da queda) para permitir ao homem
recuperar seu estado original, restabelecendo nele a semelhança à imagem
divina, restaurando nele a conformidade do tipo ao protótipo, do homem
com Deus.

Por esta razão se afirma insistentemente
que o objectivo único e verdadeiro das iniciações é preparar o iniciado
para descobrir o único caminho que pode conduzir o homem ao seu estado
primitivo e devolver-lhe os direitos perdidos. Aqui podemos fazer um
paralelo com o texto em que Louis-Claude de Saint Martin explica que o
propósito da iniciação é anular a distância entre a Luz e o homem, ou de
o aproximar à sua origem, recuperando o mesmo estado em que estava
originalmente.

Compreende-se agora em que consiste esta
união necessária entre a queda do homem e a iniciação, a que nos
referimos anteriormente. A iniciação é uma consequência da queda,
consequência não fatal, mas providencial, não obrigada, mas desejada
pela misericórdia divina para neutralizar a queda e cancelar os seus
efeitos. É um auxílio da Providência ao homem, que não lhe tem faltado
nunca ao longo de sua história, e por esta razão as sucessivas formas
que adoptou a iniciação ao longo dos tempos (de que a Maçonaria é um
delas) estavam em relação com as vicissitudes temporais do homem, que
sem cessar se debate entre a queda e arrependimento.

Compreende-se também assim não apenas a
utilidade, mas a necessidade do um ensino conexo com a Iniciação. Este
tem como objectivo tornar os homens conscientes, por um lado, do seu
estado actual e, por outro, de qual era o seu estado original que pode
voltar a conquistar. O objectivo é claro: produzir no homem (no
iniciado) uma mudança no estado de consciência, de modo e de forma a
permitir que ele mesmo possa fazer a mudança de estado do ser, que deve
realizar o trabalho iniciático. Os dois (estado de consciência e estado
de ser) estão ligados.

É por esta razão que o Rito trata do
Templo, a sua destruição e reconstrução, que é a transposição de forma
construtiva da questão da semelhança da imagem, sucessivamente perdida e
depois recuperada, já que, em última instância, o Templo não é mais do
que o próprio homem.

Quarto:

Há um quarto ensinamento, com o qual
terminamos, e que é o mais essencial: Pode um homem executar este
restabelecimento, esta reintegração no seu estado original nos direitos
que perdeu? Absolutamente não. Seria, por sua vez, culpado de uma
empresa motivada por orgulho semelhante ao original que causou a sua
queda. Esta reintegração, que é o mesmo que dizer, este retorno à
integridade primeira, exige a mediação de um ser que, à maneira do
homem, é dotado de uma natureza dupla, uma parte espiritual e outra
corpórea. No entanto, ao contrário do homem actual, cujas duas naturezas
estão corrompidas pela queda, estão ambas em estado de pureza nesse
ser, de inocência e perfeição gloriosa, como o estavam inicialmente no
homem.

Compreende-se agora de quem se trata e
quem é aquele a quem os nossos textos chamam o Mediador Divino. Os
textos são, no que diz respeito à sua identidade, perfeitamente claros:

“(…) Todas as
relações entre a misericórdia divina e os culpados tinham sido
aniquiladas e a desgraça actual do homem seria inexplicável se essa
misericórdia não tivesse aplicado um tónico infinitamente poderoso para
levantar o homem de sua funesta queda e colocá-lo de volta onde era o
seu destino primeiro.”


Não ignorareis qual foi este
tonificante. Na verdade, quem outro que não seja um Deus, que participa
da sua essência, poderá quebrar o poder daquele que tinha subjugado o
homem?

“Imediatamente
após o crime do homem, este poderoso agente veio para manifestar a sua
acção vitoriosa sobre os culpados no templo universal; manifestou-a em
especial no tempo e a favor da posteridade do homem e para vergonha do
seu inimigo, unindo a sua Divindade à humanidade, em suma, não cessando
de manifestar-se em todos os cantos do universo. Aqui estão, meu querido
irmão, os auxílios divinos e eficazes que o homem, através de seu
arrependimento, transmite à sua posteridade e dos que ninguém pode
participar se não actua em nome e em unidade com este Agente,
reconciliador universal. “


Eis então porque, no final da iniciação
maçónica, tal como o Regime Rectificado a oferece para que contemplem os
seus membros, não está um renascimento, mas sim uma ressurreição.
Devemos notar que desvelar no final da iniciação a ressurreição de
Cristo não é exclusivo do Regime Escocês rectificado; este facto é comum
a outros sistemas tanto franceses como ingleses. A particularidade
deste regime é, no entanto, incluí-la numa perspectiva metafísica e
ontológica coerente, forte e concretamente aplicável ao homem.

Eis aqui também porque, uma vez chegado a
este termo, o templo sucessivamente construído, destruído e
reconstruído, desaparece, como desapareceu o templo de Salomão sendo a
meta final a Jerusalém Celeste, a Cidade Santa, onde já não há templo,
pois, como diz o Apocalipse (21/22), o Senhor Todo-Poderoso é o Templo, e
o Cordeiro. Na verdade, não o esqueçamos, o templo que nos concerne
verdadeiramente é o homem, e a meta última do homem é a identificação
com o “templo não feito por mãos humanas” o Cristo ressuscitado.

Finalmente, por isto a Ordem é cristã, e
não está apenas imbuída de um cristianismo vago. Por isso se justifica
que apenas possa admitir cristãos, isto é, homens que professam a fé em
Cristo. Esta selecção, ou escolha, não obedece a nenhum outro motivo que
não seja a necessidade metafísica já referida. Porque a iniciação, tal
como é concebida por Willermoz, de acordo com os ensinamentos de
Martinez, e que nos legou, não funciona de outra forma e não pode
funcionar de outra forma. Para usar uma passagem já citada, constitui um
auxílio divino e eficaz (…) no qual ninguém pode participar se não
actua em nome e em unidade com o Agente reconciliador universal que é o
Cristo. Ora, como é possível actuar em nome e em unidade com Cristo, se
não temos Fé nele?

Extracto de uma Conferência de
Jean-François Var, intitulada “Da Maçonaria Cristã à Maçonaria
Rectificada.”, Chiers Bleus du GPDG.






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Re: Doutrina do RER

Mensagem  Julio em Dom Jun 02, 2013 9:37 am

Interessante.

Aqui no Brasil o RER chegou recentemente via GOB e pouco se sabe sobre o Rito (aos que não fazem parte desse Grande Oriente). Além disso, não se encontra muito material em português sobre esse rito.
Até salvei o texto aqui para ler de forma mais minuciosa posteriormente.

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Re: Doutrina do RER

Mensagem  Antoniosag em Dom Jun 02, 2013 11:28 am

Caro F ::: ,

Fiquei confundido, ou talvez o G:.O:.B:. funcione de maneira diferente do que o G:.O:.L:. .
Sendo o R:.E:.R:. um rito onde só são admitidos Homens e Teístas (estritamente Cristãos), como o G:.O:.B:. pode colocar em trabalho este rito, sendo "liberal" e regularmente reconhecido pelo G:.O:.F:.?
Aqui o G:.O:.L:. , nunca poderia trabalhar esse rito.

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Re: Doutrina do RER

Mensagem  Antoniosag em Dom Jun 02, 2013 11:34 am


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Re: Doutrina do RER

Mensagem  Julio em Qua Jun 05, 2013 11:30 am

Antoniosag escreveu:Caro F ::: ,

Fiquei confundido, ou talvez o G:.O:.B:. funcione de maneira diferente do que o G:.O:.L:. .
Sendo o R:.E:.R:. um rito onde só são admitidos Homens e Teístas (estritamente Cristãos), como o G:.O:.B:. pode colocar em trabalho este rito, sendo "liberal" e regularmente reconhecido pelo G:.O:.F:.?
Aqui o G:.O:.L:. , nunca poderia trabalhar esse rito.

Infelizmente não sei responder esse questionamento. Quem sabe os irmãos que pertençam ao G:.O:.B:. possam trazer uma informação mais clara, qualquer ponto de vista que eu emita pode vir a se tornar especulação.
O que posso te dizer com clareza é que os trabalhos já estão em andamento por aqui, pois tenho acompanhado em alguns blogs, que cito a seguir:

http://tresjanelas.blogspot.com.br/2012/09/cavaleiros-benfeitores-da-cidade-santa.html

http://tresjanelas.blogspot.com.br/2012/08/grande-priorado-do-brasil-da-ordem-de.html

http://tresjanelas.blogspot.com.br/2012/05/mestre-escoces-de-santo-andre.html

Fraterno abraço,

Julio

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RER

Mensagem  Ecces Montserrat em Dom Out 19, 2014 9:46 am

Os trabalhos estão ativos sim...
já tem livros publicados pela editora madras...

fui iniciado nos 3 últimos graus deste rito...

valoroso...
de um simbolismo riquíssimo...

de cunho martinista... para que é iniciado tb na TOM... poderá ver, quando iniciado nesta..

fraternais abracos.

.:.

Ecces Montserrat
Convidado


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Re: Doutrina do RER

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